A China já faz parte da realidade comercial de empresas brasileiras, mas transformar essa relação em oportunidades de negócio exige mais do que encontrar produtos com preços competitivos. Identificar fornecedores, avaliar a capacidade produtiva, desenvolver linhas próprias e calcular os custos envolvidos em uma importação estão entre os desafios de empresários que buscam ampliar suas operações.
É nesse contexto que um grupo de empreendedores de diferentes regiões do Brasil participa, em outubro, de uma missão empresarial conduzida por Giuliano Rédua, em parceria com a 4S, com passagem pela Canton Fair, em Guangzhou.
A relevância da China no comércio exterior brasileiro aparece nos dados do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (IPECE), elaborados com base no ComexStat/MDIC. Segundo o levantamento, a participação chinesa nas importações brasileiras passou de 24,2% em 2024 para 25,3% em 2025.
A 140ª edição da Canton Fair será realizada em Guangzhou, na China, em três fases, entre 15 de outubro e 4 de novembro de 2026. De acordo com a organização, a feira conta com uma área de exposição de 1,55 milhão de metros quadrados e 32 mil expositores. Na edição anterior, a 139ª, o evento recebeu 314 mil compradores estrangeiros de 220 países e regiões.
A proposta da missão é aproximar os participantes de fornecedores, produtos, tendências e diferentes possibilidades de negociação. O objetivo, porém, vai além da descoberta de novidades: a experiência pode ajudar o empresário a formular perguntas mais precisas, comparar alternativas e avaliar se uma oportunidade faz sentido para a realidade de sua empresa.
“Uma viagem como essa precisa ir além de encontrar um produto barato. O empresário precisa saber o que está procurando, entender o fornecedor, avaliar se existe mercado para aquilo e voltar com informações que possam ajudar na tomada de decisão”, explica Giuliano.
O que leva empresários brasileiros a buscar oportunidades na China?
Os objetivos variam conforme o estágio e o segmento de cada negócio. Quem ainda não importa pode buscar conhecimento sobre o processo e contatos comerciais. Já quem trabalha regularmente com fornecedores internacionais pode estar interessado em diversificar a cadeia de abastecimento, ampliar categorias ou encontrar alternativas para produtos que já comercializa.
Para varejistas e distribuidores, a busca pode envolver novidades para o portfólio, diferenciação e possibilidades de desenvolver produtos. Empresários da indústria, por sua vez, podem priorizar componentes, matérias-primas, capacidade produtiva e oportunidades de personalização ou criação de marcas próprias.
A Canton Fair reúne categorias que atendem a diferentes interesses. A primeira fase, de 15 a 19 de outubro, concentra setores como manufatura avançada, eletrônicos, máquinas, ferramentas e componentes. A segunda, de 23 a 27 de outubro, reúne itens para casa, decoração, presentes, materiais de construção e móveis. A terceira, de 31 de outubro a 4 de novembro, contempla categorias ligadas a estilo de vida, moda, saúde e outros segmentos.
Essa diversidade faz da feira um espaço de descoberta e comparação comercial. O contato com diferentes fabricantes e representantes permite conhecer ofertas e condições de negociação, mas a decisão de compra exige outras etapas, como análise de amostras, verificação do fornecedor, avaliação de conformidade e planejamento dos custos de importação.
Um dos pontos centrais para quem considera comprar na China é compreender que o valor apresentado pelo fornecedor representa apenas uma parte do custo final. Transporte, impostos, câmbio, prazos e exigências regulatórias também influenciam a viabilidade de uma operação.
A identificação de um produto interessante, portanto, não significa necessariamente que a importação será vantajosa. Antes de fechar um negócio, é necessário avaliar a demanda no mercado brasileiro, as condições comerciais e a capacidade de transformar aquela oportunidade em uma operação sustentável.
Dependendo do objetivo do empresário, a experiência também pode envolver o aprofundamento de conversas com fornecedores e visitas técnicas a fábricas. Essas visitas, quando disponíveis e previamente agendadas, permitem conhecer mais de perto processos, estrutura e capacidade produtiva, sem substituir uma verificação independente de qualidade ou uma auditoria do fornecedor.
Outro caminho é investigar possibilidades de marca própria, personalização de produtos e embalagens. A viabilidade depende das condições de cada fabricante, das especificações desejadas e dos aspectos técnicos e comerciais envolvidos.
À frente de negócios de diferentes segmentos, Giuliano Rédua participa da missão a partir de sua vivência prática com gestão, operação, expansão e decisões comerciais. Sua atuação permite relacionar o que é observado no mercado internacional aos desafios enfrentados por empresários brasileiros no cotidiano de suas empresas.
A Jornada 4S, em parceria com Giuliano, propõe diferentes formas de aproximação com o mercado chinês, conforme os objetivos de cada participante. A Canton Fair pode ser o foco para quem deseja conhecer uma ampla variedade de expositores; visitas industriais podem ser relevantes para quem precisa aprofundar a análise de produtos ou fornecedores; e combinações entre essas experiências dependem da programação contratada e da disponibilidade de agendamento.
A viagem de Giuliano também inclui outros destinos, como Macau e conexões por Dubai, conforme as informações fornecidas pela equipe. Esses locais, entretanto, não devem ser considerados automaticamente parte de todos os roteiros oferecidos pela 4S.
A proposta é ampliar o repertório empresarial e oferecer referências para que cada participante avalie oportunidades de acordo com suas necessidades. A viagem pode abrir caminhos para novas conversas e negociações, mas a concretização de negócios depende das decisões e das análises realizadas posteriormente.
Fonte – Giuliano Rédua
Giuliano está disponível para entrevistas durante a missão e diretamente da China. Pode comentar o interesse de empresários brasileiros pelo mercado asiático, os critérios para avaliar fornecedores, os desafios de uma importação e as oportunidades identificadas durante a experiência, relacionando esses temas à realidade das empresas brasileiras.
Jornalista: Tamiris Sibele
Foto: Divulgação


